Ainda há tempo
Calma, ainda há tempo. Não vá depressa, segure a pressa, mantenha as peças todas no lugar. Temos a tarde toda. Temos a chuva bela para contemplar.
Calma, ainda há tempo. Fique mais um pouco, mantenha-me louco, deixe-me a ponto de não mais poder pensar.
Calma, ainda há tempo. Assista comigo ao pôr do sol, deite ao meu lado sobre o fino lençol, segure o meu fôlego com o teu polegar.
Calma, ainda há tempo. Espere o tempo acabar. Quebre a ampulheta e deixe a areia derramar. Observe o sereno se formar sobre o infinito do meu olhar.
Calma, ainda há tempo. E quando não mais houver, será tarde demais. Para o tempo. Para nós já terá amanhecido novamente. E não há fim do mundo capaz de findar o meu deleite.
Calma, ainda há tempo. E se não der certo agora, há de dar em algum momento.
Escrito em setembro de 2019.