Aproveite o que dá
Já estive no auge. Oco, opaco, estéril, robótico. Sorri de canto e não aproveitei. Fingi ser humano e gentil. Menti sobre meus cabelos e meus sonhos. Levei o vento e a garoa sem dor nem anestesia. Agi com descaso sobre um fardo disfarçado de compromisso. Subi a colina e suei de mentira.
Já estive no auge. Oco, opaco, estéril, robótico. Olhei de lado e pouco liguei.
Não por maldade, tampouco vingança. Foi culpa da falha que eu não soube enxergar.
Já estive no auge. E não aproveitei.
Será que na queda haverá diversão?
Que venha a imersão da ladeira real.
(Não hei de sair de mãos vazias.)
Escrito em 14 de fevereiro de 2020.