Ei, você!
Estou falando contigo. Sim. Por que me olhas assim? Pareço-te estranho? Desagradável? Repugnante? Dê um sinal de vida. Podemos conduzir isso em paz. Podemos pôr as pás no lixo e deitar na grama verde. Podemos, enfim, encarar o encarte gentil do CD quebrado.
Continuo falando contigo. Sim. Por que me olhas de lado? Pareço-te insosso? Descartável? Arrogante? Dê à minha vida um sinal. Podemos conduzir isso sem mudar de canal. Podemos tomar o café até o final. Podemos, enfim, acertar os ponteiros do relógio parado.
Estou falando contigo.
Permanecerei paciente. Padecerei se for preciso. Manterei firme a minha palavra, porém.
Só espero que entendas a minha língua.
Escrito em janeiro de 2020.