# Fragmentos

Esquecível

Ando pela estrada enquanto penso nos pontos esquecíveis. Preocupo-me com eles, pois. O que fizeram de tão errado? O que justifica tamanho desprezo?

Esforço-me para alcançar os locais mais íntimos do trajeto com os braços da minha mente. Suo morno e engulo seco enquanto tento encontrar uma solução, uma alternativa, uma resposta que seja para dar cabo dessa injustiça.

Não adianta...

Ando pela estrada e já me pego esquecendo do que deveria muito bem lembrar. Preocupo-me mais comigo dessa vez. No que eu estou falhando? O que justifica tamanho descaso?

Esforço-me para buscar um culpado e um salvador, mas a verdade é que o julgamento cruel está dentro de mim. O martelo que bate é seletivo e inevitavelmente joga ao limbo do esquecimento qualquer madeira que não soe bem aos meus ouvidos.

E adiante sigo...

Ando pela estrada triste e conformado. Como sempre foi, como sempre será. Vago pelo terreno traiçoeiro da penumbra. Penso em como utilizar os faróis para seguir dentro dos trilhos. Preocupo-me comigo, enfim, nunca com os pontos esquecíveis.

No fim das contas, sou esquecível também.

Escrito em 14 de fevereiro de 2020.