Fingimento
Finge a chuva por cima do vento. Finge a luva cobrindo teus calos. Finge afeto, finge amor. Finge o que for, finge até dor.
Respira o alívio da ilha azulada. Respira o convívio das fronhas manchadas. Inspira e expira o céu condenado. Encena e encerra a peça vazia.
Finge a chuva e a garoa. Finge que a proa aponta o futuro. Finge tudo, finge até nada. Finge estar vivo e em cima do muro.
Escrito em 21 de janeiro de 2020.