Fogueira
Queimou tudo novamente. Pôs a dormir teus resquícios na cama de pedra. Cobriu de leve com o manto do álcool. Riscou o palito nervoso da alma. E queimou tudo finalmente.
Brilhou o show impressionante. Aliviante. Apavorante. Desfez de vez o laço inocente. Deixou ao léu o presente rancor. Cedeu lugar ao remorso, porém. Lançou-se à sorte o pobre azarado.
Para sempre definhar nas bordas de qualquer sorriso. Para sempre lamentar a ausência do suposto juízo.
Que na verdade era praga, apenas praga. Uma sina amarga que nem o fogo podia mudar.
Escrito em 31 de janeiro de 2020.