# Fragmentos

Loucura à la ninguém

Versões não coerentes são tudo o que tenho de mim.

Tudo.

Ah, as danças estáticas, as estátuas de borracha, as estatísticas duvidosas… Tudo fora de ordem, tudo dentro do caos.

Versões não concorrentes são tudo o que tenho de mim.

Tudo.

Ah, os gritos da meia-noite, os grilos da chuva-corrente, os ritos de passagem para o dia seguinte…

Tudo fora da Terra, tudo dentro do vácuo.

Versões mortas e vivas são tudo o que tenho de mim.

Tudo.

E nada.

Sobrepostas. Paralelas. Parceladas. Amarelas.

É, como a falsa luz do profeta real. Do arabesco-mural. Do datado casal.

Versões não coerentes coexistem pra sempre em mim.

Pra sempre.

Em mim.

Enchendo meu estádio vazio de incertezas e besteiras mundanas.

Inundando pra sempre minha cama.

Em silêncio.

É, pra não acordar a razão do coração e do ritmo estéril.