O que eu quero dizer
Sinto-me inspirado a dizer-te
Desajeitado, eu sei
Desmantelado do dedão ao último dente amarelo.
Sinto-me impelido a contar-te
Envergonhado, eu sei
Escaldado da cabeça ao último calo dos pés.
Sinto-me no dever
Sinto-me leve e livre
Sinto-ME antes de mais nada
E ninguém
E sinto em mim a vida que me permite sentir-te.
Peço, então, que permaneça.
Que faça piada comigo da bacia furada
Da barba malfeita
Da blusa encharcada.
Peço, então, que permaneça.
Que entristeça quando for preciso
Mas que me avise dos dentes que sorriem mal
Dos calos que doem demais
Dos canibais da alma que não entendem de felicidade.
É isso o que te digo.
É isso o que te conto.
É esse o ponto da costura torta que chegou até ti.
Escrito em 26 de fevereiro de 2020.