Sem restos (doce ilusão)
Começo sem restos. Ah, doce ilusão... Entrego-me aos rituais bobos da renovação.
E finjo começar sem restos. Há os afetos, eu sei, que atravessam as paredes invisíveis da transição. Há os desejos secretos que atravessam furtivos as fronteiras da estação.
E finjo começar sem restos. Ah, doce ilusão... Ignoro sempre a sentença martelada pelas migalhas renegadas do pão. Ignoro sempre a crença das partes na união.
E finjo começar sem restos. Ah, doce ilusão... Farão todos sempre parte de mim.
Escrito em 1º de janeiro de 2020.